Mario Sergio Conti assina resenha na “Piauí”

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A trilogia de Lira Neto será rematada no ano que vem, no sexagésimo aniversário do suicídio de Vargas, com a publicação do terceiro volume. Ainda que seja obra em progresso, desde já é possível classificar Getúlio como um evento. Pela massa formidável de informações, pela narrativa escorreita que as amarra, pelas novidades que encerra, o livro amplia a percepção do político e do país.

A empreitada do cearense Lira Neto era complexa, desanimadora mesmo: deslindar o homem que, no poder e fora dele, condensou a relação entre a sociedade e o poder no século passado. Foram escritos centenas de livros a seu respeito, ensaios e teses que movimentaram a nata da intelectualidade nacional. Biografá-lo a contento não parecia tarefa para um jornalista, ainda mais de província, que até então escrevera livros sobre figuras bem menos expressivas, como a cantora Maysa, o escritor José de Alencar e Padre Cícero.

A biografia é um gênero difícil. Ele traça as características individuais do personagem e investiga como encarna uma sociedade e um tempo. Num período cada vez mais tomado pelo culto a celebridades, sobretudo nos Estados Unidos, ela virou pasto de catadores de intimidades e fofocas. Eles buscam o escândalo e as boas vendas, e não a compreensão abrangente. Raros são os trabalhos como o de Robert A. Caro, o biógrafo do presidente Lyndon Johnson. Com as devidas diferenças (o livro de Caro começou a ser publicado há mais de trinta anos, e se encontra no quarto de cinco volumes), Getúlio tem, no panorama da biografia política nacional, o vigor de Os Anos de Lyndon Johnson.

Assinantes da Piauí podem ler o texto na íntegra aqui.

 

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